Gafes no orçamento doméstico

Mais um mês se inicia e você se propõe seguir à risca o seu planejamento financeiro. Já abriu mão de tudo quanto é gasto supérfluo, conseguiu economizar no seguro de carros, supermercado, e até aprendeu a dar banho no cachorro para dispensar o pet shop. Só que tem alguma coisa dando errado, porque os dias passam e o seu salário e o do seu marido escorregam das mãos.

O que será que está acontecendo com o seu dinheiro? O professor e economista Marcos Silvestre – um dos mais experientes planejadores financeiros do país – indica que é possível fazer o salário render “a través de boas decisões que evitem o desperdício e liberem dinheiro bom para coisas boas”. Será que, sem perceber, você e a sua família estão tomando decisões equivocadas? Se assim for, não se apavore. Neste artigo, vamos identificar três erros comuns que, à simples vista, podem parecer inofensivos, porém, são os grandes vilões das finanças familiares.

  1. Fazer contas de cabeça

 Nem pensar! Confiar na memória pode ser prejudicial e até perigoso. No entanto, parece que é um hábito da maioria dos brasileiros na hora de controlar o seu orçamento. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e o Serviço de Proteção ao Crédito revelou que 8 em cada 10 brasileiros não usa nenhum método para organizar as despesas. O resultado: a maioria perde-se nas contas e não sabe como controlar os próprios gastos, gerando um perfil de consumidor que gasta além do que ganha e não poupa dinheiro.

Portanto, esqueça de contar vantagens sobre sua capacidade de memorização e anote tudo. Ter visibilidade financeira das nossas entradas e saídas de dinheiro ajuda na conscientização sobre hábitos e comportamentos que dificilmente poderíamos identificar usando os dedos da mão. Além disso, controlar as finanças na ponta do lápis gera confiança e segurança no uso do dinheiro.

  1. Não contemplar os pequenos gastos no orçamento

O professor Silvestre insiste em salientar: “Os milhões são feitos de centavinhos”. Portanto, pequenas despesas têm muito peso no controle das nossas finanças. Pense, por exemplo, nesse docinho tão gostoso que custa 3 reais e que você costuma comer todo final de tarde. Com certeza, 3 reais, 5 reais ou 10 reais isoladamente não vão resolver seu problema financeiro. No entanto, multiplique esses 3 reais por 30 (dias) e depois por 12 (meses). Ficou surpresa? Portanto, anote qualquer gasto, por menor que seja: no final do mês você poderá descobrir muitas surpresas.

  1. Filhos ficam de fora do planejamento financeiro

 Só pai e mãe participam do orçamento familiar? De jeito nenhum! Para poder pôr ordem nas contas da casa, a participação de todos os membros da família é fundamental. O professor Silvestre aponta que filhos acima de 10 anos já podem participar do planejamento. Isso tem uma razão de ser: “Normalmente, os filhos não vão gerar entradas, não vão gerar receitas, porém, todos vão gerar saídas”, indica o economista. Portanto, além do controle dos gastos coletivos da família, ele recomenda separar uma folha para cada membro, para descobrir os gastos pessoais que gera cada um e se há desequilíbrios que devem ser corrigidos.

Por conseguinte, com disciplina e boas decisões é possível manter o orçamento doméstico sob controle e recuperar a sua saúde financeira. Lembre-se: da mesma maneira que pequenos gafes prejudicam as finanças da família, pequenos hábitos podem fazer uma grande diferença.

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